sábado, 21 de abril de 2018

2000 - EU SOU TERRÍVEL



Dezembro 2000

Compositores: Roberto Carlos e Erasmo Carlos
1967

Eu sou terrível e é bom parar
De desse jeito me provocar
Você não sabe de onde venho
O que eu sou, nem o que tenho
Eu sou terrível, vou lhe dizer
Que ponho mesmo pra derreter
Estou com a razão no que digo
Não tenho medo nem do perigo
Minha caranga é máquina quente
Eu sou terrível e é bom parar
Porque agora vou decolar
Não é preciso nem avião
Eu vôo mesmo aqui no chão
Eu sou terrível, vou lhe contar
Não vai ser mole me acompanhar
Garota que andar do meu lado
Vai ver que eu ando mesmo apressado
Minha caranga é máquina quente
Eu sou terrível...














2007 - RITA LEE
Participação: CAETANO VELOSO
Especial Rede Band 2000 [do Show “3001” gravado no Olympia (SP)]
Álbum “Biograffiti” [Rita Lee]
Biscoito Fino 3 DVD’s bf 735, DVD 1 bf 736 “Ovelha Negra”, Track 4.




jueves, 19 de abril de 2018

1975 - ROBERTO CARLOS ESPECIAL


A vida agitada de Roberto Carlos foi o tema do segundo especial da rede Globo de 31 de dezembro de 1975.

O programa mostrou shows no exterior, a euforia das e imagens exclusivas de uma viagem de avião feita pelo Rei.

Os convidados foram Sílvio Caldas, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Erasmo Carlos e Wanderléa.

Com Sílvio Caldas e Dorival Caymmi, Roberto Carlos cantou Ternura Antiga, de José Ribamar e Dolores Duran, e Acalanto, de Dorival Caymmi.

Caetano Veloso cantou Qualquer coisa. Logo depois Roberto Carlos juntou-se a ele e ambos ao violão cantaram Como dois e dois.







Com Wanderléa e Erasmo, cantaram Pare o casamento, Lobo mau e Negro gato.






Um Programa: AUGUSTO CÉSAR VANNUCCI e RONALDO BÔSCOLI
Direção Geral: AUGUSTO CÉSAR VANNUCCI
Regência: LEONARDO BRUNO (Orquestra Rede Globo)
Realização: CENTRAL GLOBO DE PRODUÇÃO










 



miércoles, 18 de abril de 2018

1983 - KAOS - O NOVO AMANHECER


Cenário, cartaz, complementos gráficos, organização e direção de palco do show “Kaos - o novo amanhecer”: Ivald Granato [29/12/1949 – 3/7/2016]




Cartaz do show


















martes, 17 de abril de 2018

2018 - LULA



"Ouvi foguetes no Leblon. Eu me sinto mal se penso que soltam foguetes porque um homem foi preso. Talvez porque eu já tenha sido preso. Não fico feliz nem de ver Eduardo Cunha preso. E olha que ele está a milhões de anos luz de ter sido o presidente do país que saiu do segundo mandato com 80% de aprovação, retirou milhões da miséria e botou o Brasil na capa da bíblia liberal da imprensa anglófona. Detesto a polarização, mas os soltadores de foguete de hoje quase me põem a alma numa dessas bolhas mesquinhas. Recuso-me. Respiro fundo, espero o tempo andar, presto atenção em Boulos, na adorável Manuela, no anúncio da divina Marina e na chegada de Joaquim Barbosa. Assim vou me preparando para, com mais firmeza, votar em CIRO GOMES, como uma homenagem a Lula, ao FHC do real, aos esforços para engrandecer o Brasil."

[9/4/2018, Caetano Veloso, Facebook]



1969 - Salvador - Caetano Veloso em regime de confinamento
Foto: Fernando Seixas


1969 - Salvador


lunes, 16 de abril de 2018

1972 - A VOLTA DE CAETANO E GIL










 






14/1/1972


Caetano Veloso ensaiou ontem de maneira  informal como ele gosta para show de hoje no Teatro João Caetano






Fotos: Equipe Revista Fatos e Fotos




14, 15 e 16 de janeiro de 1972

Teatro João Caetano (RJ)





12/1/1972


18 e 19 de janeiro de 1972 - São Paulo - Teatro TUCA




 





 
 




 




27, 28 e 29/1/1972 - Rio de Janeiro - Teatro João Caetano







 
 








Salvador, Julho de 1969









1972
O PASQUIM
n° 135 - Rio de Janeiro
2 a 9/2/1972


A Volta de Caetano Veloso e Gilberto Gil


Caetano voltou modificado da Inglaterra, qual a exata modificação? E qual a modificação em Gilberto Gil?

Ou por outra: qual a metamorfose em Gil e Caetano depois da partida? Que influência teve a Inglaterra e todo o pop inglês e underground americano no norte nos dois? Quem são exatamente estes enigmas, estes dois mais que superstars brasileiros?

Ninguém ainda reparou bem, mas eles são os artistas pop mais típicos e profundos do chamado terceiro mundo, na cor, na profundidade, na densidade de cultura, na ousadia e força de raça nova entrando na História, os produtos mais puros e sofisticados da jovem nação brasileira ponta de lança da grande nova cultura americana a se abater sobre o planeta através da música, da música das Américas, do rock e do futuro samba Mundial, do futuro supersamba Mundial.

É que é muito raro na História coincidir o líder filosófico, ético, estético e artístico como agora com Bob Dylan, John Lennon, os Rolling Stones, Joe Cooker, Caetano Veloso, Gilberto Gil, porque estamos num tempo parecido com o tempo dos pré-socráticos, quando a filosofia e a poesia andaram unidas num mesmo transe de paixão e lógica.

Mas quem são estes dois enigmas? A esfinge e o labirinto antes de mais nada. Ambos vieram de uma civilização negra americana que de arrancada e como impulso inicial lhes ensinou mil truques, mil maneirismos, mil sofisticações, toneladas de fantasia selvagem e baiana, antropofágica e pagã, com uma mitologia de referências profundas: o Candomblé, toda a atmosfera que paira por cima da Bahia, atmosfera mágica, segura em sua significação, a fantasia oriental desta primeira capital do país. Tudo isso, todo esse jogo de fantasia e segurança mitológica lhes foi fornecida desde a infância pela Bahia.

Absorveram e modificaram o espírito do homem brasileiro atingindo o Universal num mundo tecnológico do século XX e XXI. Juntaram assim a magia mítica e totalizante com a eletrônica e o caos contemporâneos.

São eles dois as sínteses culturais mais poderosas de nossa terra, sempre em movimento, em sofreguidão, com a ânsia da vertigem e da velocidade. Quatro fases distintas: antes do Tropicalismo, o Tropicalismo, a partida e a ausência e agora a volta artística.

Qual foi a modificação?

Caetano Veloso enxerga-se cada vez mais como músico e sua linha musical encaminha-se para uma estranha transa afro-blues-pop-joãogilbertiana e com um toque de praieiras canções à la Caymmi, com baiões reconsiderados e muito Trio Elétrico, e muita Rumba. Tudo isso com um espírito de cantiga de cego, repentismo (ou jazz) e lamento irônico.

Um som que não tem nada que ver com o LP inglês em que Caetano canta Asa Branca. O som de agora com Macalé no outro violão como um feiticeiro, Áureo na bateria, Tuti na percussão e Moacir no baixo, é quase que o oposto do som do LP inglês de 1971.

Quanto à dança e os paços e imitações de Bethânia, Carmem Miranda, e gingados de coreografia própria, Samba de Roda, e toques mickjaggarianos, Caetano está simplesmente novo, ousado, terrivelmente maravilhoso.

Espiritualmente parece sereno, tranqüilo, seguro, cheio de novos planos e com um otimismo temperado na amargura, uma lâmina fortíssima, como a alma dos estóicos, aquele espírito preparado para um longo futuro, sabendo manejar muito bem a negação e a afirmação, sem esmagar uma nem outra, um jogo que exige maestria.

Influência do pop inglês claro que está evidente na influência exercida pela música e espírito dos Rolling Stones de Mick Jagger. Além disso filosoficamente mais tolerante e ao mesmo tempo mais radical, Caetano exibe uma liberdade mais pessoal e uma síntese mais aguda de todas as influências.

Gilberto Gil sofreu a potencialização do seu Ser Cósmico, sua abundância selvagem e ao mesmo tempo sofisticadíssima. Gil sempre cantou fábulas através de suas músicas, como os primeiros mitólogos de arcaicos tempos, agora as fábulas explodiram para superfábulas fragmentadas, mais muito mais forte que os primeiros vislumbres. Gil debruçou-se além da fronteira permitida, onde o pânico invade as mentes, e arrancou de lá, um Universo que fortaleceu e aprofundou, desencadeou a revolução cósmica integral, e eis que surgiu um novo sistema nervoso. Uma nova arte, um novo ser.

Em Gilberto Gil me parece que a influência é a de Jimi Handrix e a reconsideração do Baião e da música nordestina, com Jackson do Pandeiro e Luís Gonzaga.

Um som que vai do eletrônico ao selvagem inicial. Gil desenvolveu sua própria antropofagia eletrônica. Espiritualmente está como um mandarim chinês, curtindo a sério a macrobiótica e assim num pensamento Tao, ele exibe a serenidade dos que se reencontraram com a natureza e o Cosmos através do misticismo. Mas um misticismo radical e em constante movimento.

Gilberto Gil e Caetano sofreram também a meu ver a influência de John Lennon, a fase da sinceridade existencial e do novo realismo, o realismo que diz “o sonho acabou”.

Ao mesmo tempo que os dois avançaram como cometas de vanguarda para internacionalizações e planos cósmicos, ambos também reencontraram raízes afro, baiões, solidariedades latino-americanas,sambas de morro e batidas africanas.

A pesquisa de Gil (como o que eu ouvi em Londres) está bem diferenciada daquilo que Caetano está fazendo, e ambos estão fazendo algo novo navegando por um mar desconhecido cheio de novidades e sínteses brilhantes como estrelas. Um encontro cada vez mais forte da música e cultura do Brasil com o resto da Latino América & os USA.

Caetano e Gil (cada um de um modo distinto) tratam o homem e seus problemas com a consciência de que estamos mergulhados nos Caos mundial, mas o tratamento a ser dado, o comportamento e a arte devem ser o elo de harmonia do homem e seu caos, através de um permanente conflito musical onde a nova harmonia explode em fragmentos súbitos, e tudo isso deitado num tapete oriental sensual, baiano, malemolente.

Claro que isso é sempre uma idéia pessoal a respeito deles. Acho também que o grande fascínio de Caetano Veloso e Gilberto Gil, fascínio musical e fascínio de imagem é que ambos, embora trilhando caminhos cada vez mais diversificados são símbolos de uma qualidade demasiadamente humana, porque contém toda nossa fragilidade e força, os opostos, a luta entre nosso niilismo e a potência, e a cima de tudo, a luz Ada liberdade, que às vezes é também uma antiluz, e que ilumina, fragmenta as mil possibilidades de nossa alma em direção à vida!



JORGE MAUTNER