viernes, 8 de diciembre de 2017

2003 - Revista ELLE


Terça, 6 de maio de 2003.

A revista Elle comemora 15 anos no Brasil com exposição




Criada por Paulo Borges, uma exposição comemora 15 anos da revista Elle no Brasil.

O evento, que foi inaugurado no Shopping Iguatemi, em São Paulo, é o primeiro de uma série de comemorações do aniversário.

A exposição conta a trajetória da moda brasileira, através de reportagens que estiveram presentes nas 180 edições da revista.

Composta de painéis, biombos e cubos iluminados, a exposição mostra imagens das capas e de celebridades que já fizeram parte de matérias.

Entre as personalidades retratadas estão Xuxa, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil, João Gordo, Glória Maria, entre outros.


Caetano Veloso e Gilberto Gil são destaques da exposição 
Foto: Reinaldo Marques/Redação Terra

A exposição fica em cartaz até o dia 18 de maio. O horário de funcionamento é de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 14h às 20h.


















Caetano Veloso já exibiu um estilo despojado na Elle
Foto: Reinaldo Marques/Redação Terra



2001 - A MELHOR BANDA DE TODOS OS TEMPOS DA ÚLTIMA SEMANA


Em 2001, os Titãs assinaram com a Abril Music e estavam prestes a iniciar a gravação de mais um trabalho. Porém, no dia 11 de Junho de 2001, o guitarrista Marcelo Fromer foi atropelado por uma moto em São Paulo e morreu dois dias depois.

Pensou-se na época que a morte de Fromer seria o fim da banda. João Augusto, então diretor da Abril Music, chegou a declarar que concordaria com qualquer decisão, caso a banda anunciasse uma possível separação. Porém, eles decidiram seguir em frente.

Fromer era o responsável pela guitarra base da banda. Com o início das gravações de A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, houve dúvidas sobre a gravação: Tony Bellotto, guitarrista solo, pensou em gravar todas as guitarras do disco, porém mudou de ideia. Chegou-se a propor que Paulo Miklos e Branco Mello se revezassem no instrumento, porém a decisão final foi convidar o músico Emerson Villani, que já tinha tocado com a banda durante alguns shows e turnês, inclusive substituindo Marcelo no ano de 1998, quando ele foi convidado para comentar a Copa do Mundo FIFA de 1998 pelo canal SporTV.

O repertório permaneceu inalterado: as 16 faixas já haviam sido escolhidas antes da morte de Fromer.



Quarta, 03 de outubro de 2001

Quarentões, Titãs não querem carregar rótulo adolescente

Ricardo Ivanov / Redação Terra


Titãs novamente reunidos: Miklos acha que Fromer teria dado um "pito" nas carreiras solo do grupo. - Foto: Alexandre Tahira / Terra


Em uma casa noturna bem gueto na Avenida Rio Branco, a Green Express, em pleno centro velho de São Paulo, o grupo Titãs fez sua volta depois de férias solo e recente morte de Marcelo Fromer. De gravadora nova, a Abril Music, depois de um casamento longuíssimo com a Warner, lançam Titãs A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana. A idéia do título é ironizar as listas de "melhores" que a imprensa gera, influenciando o público, e até auto-ironizar a própria banda, que vive nessas listas, querendo ou não. Sem a presença de Tony Bellotto, que saiu correndo para o Rio logo no começo da coletiva para a estréia de seu filme, Bellini, foram unânimes ao afirmar que o CD foi um "desafio da reinvenção, como um novo debute".

Sentados à frente de enormes caixas de som amarelas - em um cenário que mais parecia o palco de um show do Van Halen na década de 80 com David Lee Roth -, os cinco integrantes se esforçavam para não rir das perguntas dos jornalistas. Rodados, esperavam as boas e velhas questões sobre a banda. Logo de cara tiveram de justificar os supostos temas adolescentes nas letras do novo álbum: "Não vemos desta maneira. É um mal-entendido. Sentir-se deslocado, com dificuldades de adaptação ao dia-a-dia, não é um privilégio dos adolescentes. Isso é algo que podemos ter a vida inteira. Você pode ser um pai de família e não se encaixar", explicou Sérgio Britto, de óculos escuros e boné virado para trás.

Com 2 milhões de cópias vendidas do Acústico, mais 1 milhão do Volume 2 e 400 mil das Dez Mais, Titãs a Melhor Banda... quer ser mais autoral, com uma volta às guitarras e distância de violões e arranjos de cordas. "Nos sentimos recompensados com os discos anteriores", disse Branco Mello. Para eles, esses trabalhos foram sucessos artísticos e comerciais. Nando Reis até dissipou a fama de preguiça que poderia estar pairando sobre a cabeça titã: "As pessoas pensam que com esses três discos não trabalhamos, que foi fácil. Não foi. Excursionamos muito". O baixista, cantor e compositor da banda era o mais inquieto em sua cadeira e falava pouco para não espetar muito os jornalistas. Para Mello, os Titãs não tinham escolha a não ser gravar um novo CD de inéditas.

Fromer no disco
A nova empreitada vem recheada com 16 músicas, todas pinçadas antes da morte de Fromer. A guitarra do ex-integrante morto em um acidente de trânsito este ano não consta no CD. Os Titãs até pensaram em usar parte do material gravado na demo do disco, mas tecnicamente foi impossível. No CD e ao vivo a segunda guitarra está nas mãos de Emerson Villani, que os Titãs se apressam em dizer que não substituiu o amigo. "Somos seis, mas no palco vão ser oito. Logicamente o Villani foi escolhido porque tem a ver com a banda, não poderia ser só um músico contratado", explica Nando. O outro integrante no palco é um percussionista.

Marcelo Fromer, aliás, ganhou voz nessa volta do grupo. Miklos: "Fico imaginando o que o Marcelo diria e ele certamente estaria dando um tremendo pito em nossas carreiras solos, perguntando 'E a banda? Como é que é? Cadê ela?'". Essa parece ser a realidade atual dos seis membros: ou voltam, ou voltam. E juntos, cada um deles parece mais forte, resistente às críticas, aparados por uma longa carreira de êxitos, mas também fracassos retumbantes.

A escolha do repertório seguiu a idéia do consenso. "O pessoal tem uma produção grande", diz o baterista Charles Gavin. "No final das contas, se há uma discussão interminável, partimos para uma simples votação. Mas mesmo assim, depois disso, nós continuamos a discutir, pois as pessoas não se conformam", finaliza. Para Nando, no fundo, tenta-se fazer um equilíbro de estilos, que forma a cara dos Titãs.

Titãs, já nas bancas
Uma das novidades (que ganhou caráter real de novidade com Lobão, um ano atrás), é que o disco será vendido em bancas de jornais, encartado com uma pseudo-revista - uma lei proibe que se venda CDs nesses locais, a não ser que ele seja uma espécie de "brinde" de uma publicação editorial. "Achamos esquisito no início, mas depois gostamos da idéia. Tem lugares no Brasil em que não se tem realmente lojas de disco, mas uma banca sim", argumenta Gavin. Além disso, o preço do disquinho vai ter valor máximo sugerido de R$ 19,90 (ou R$ 20, para quem não se incomoda com 10 centavos). Desta forma, a chance do grupo vender como água é gigantesca, mesmo se o disco não for bem aceito pela crítica.

"Não é o momento para trabalhos solo. Já passamos essa etapa, agora estamos juntos", diz Mello sobre a pergunta de projetos paralelos. "Queremos voltar com tudo", acrescenta Miklos. No entanto, Branco lança logo mais um CD de rock'n'roll para crianças chamado Eu e Meu Guarda-Chuva, que estará nas bancas pela Editora Globo. A ligação com faixas etárias foi um dos pontos da entrevista e Gavin se saiu melhor com essa: "Vi vovôs e netos em nossa platéia. Todos nós aqui já estamos perto dos 40 e quem não fez, já deveria ter feito", brincou. Nando finalizou ressaltando que a família de Fromer está com dificuldades em prosseguir com as investigações que apuram as causas da morte do guitarrista. "Nos acostumamos com isso no Brasil, mas temos que fazer alguma coisa".


Os Titãs lançam o novo disco no dia 18 de outubro no Credicard Hall, em São Paulo, e no dia 1º de novembro no Canecão, Rio.


                                                                       Alexandre Tahira / Terra
São Paulo, 2 de outubro de 2001
Titãs encaram novo CD como volta ao básico do grupo e um novo desafio

Alexandre Tahira / Terra
São Paulo, 2 de outubro de 2001
 "O pessoal tem uma produção muito grande", disse Charles Gavin sobre os Titãs e escolha do repertório do novo CD


Alexandre Tahira / Terra
São Paulo, 2 de outubro de 2001
Nando Reis, que disse que a banda não parou de trabalhar nos tempos do Acústico



“Nós perdemos o Marcelo no primeiro dia de gravações, o que simplesmente destruiu a todos. Todo o trabalho parou. Parecia que o mundo inteiro havia parado. Mas depois de uma semana os Titãs decidiram que tinham que continuar. A melhor maneira de lidar com a tragédia foi trabalhar muito duro. Era o que Marcelo nos diria para fazer, e todos sabiam disso. Mas foi muito difícil naquelas condições. Para mim, particularmente, uma das razões foi que toquei várias partes de guitarra que eram do Marcelo. As partes mais rock. Eu havia assistido todos os ensaios, sabia as músicas e como o Marcelo as tocava. Foi muito estranho fazer aquilo. Normalmente não gosto de tocar em álbuns que estou produzindo, mas parecia ser algo que eu tinha que fazer. O Tony não queria tocar as partes do Marcelo. Ele e o Charles me disseram: ‘Jack, se havia alguma hora para você tocar conosco, então esta é a hora’.” [Jack Endino, produtor americano do disco]



CD



 Single







1/11/2001 - Set List do Show - Canecão (RJ)


2001
Revista ISTOÉ Gente
Edição n° 119


Titãs embalam romance de Ciro e Patrícia

Ciro Gomes e Patrícia Pillar cumpriram juntos mais um compromisso da agenda social. Chegaram distribuindo sorrisos e simpatia ao show de lançamento do álbum A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, dos Titãs, na casa de espetáculos carioca Canecão.

Não ficaram o tempo todo sós. Malu Mader e Caetano Veloso fizeram companhia ao casal durante a apresentação da banda.


Foto: Fred Pontes





jueves, 7 de diciembre de 2017

2007 - PEDRINHA DE ARUANDA



Título original: Maria Bethânia - Pedrinha de Aruanda

Gênero: Documentário
Duração: 1 hr 1 min
Ano de lançamento: 2007

Estúdio: Quitanda Produções / Conspiração Filmes
Distribuidora: Filmes do Estação
Direção: Andrucha Waddington
Roteiro: Maria Bethânia, Andrucha Waddington e Sérgio Mekler
Produção: Andrucha Waddington

Fotografia: Ricardo Della Rosa, Flávio Zangrandi, Dudu Miranda e Fábio Sagattio
Edição: Sérgio Mekler e Quito Ribeiro


A intimidade de Maria Bethânia a partir da comemoração de seu aniversário de 60 anos, celebrado durante uma apresentação em Salvador e numa missa em Santo Amaro, sua cidade natal, em 2006. Neste comovente relato de vida, vemos Bethânia, Caetano e Dona Canô sentados na varanda rodeados de família e amigos, cantando músicas e cirandas que fazem parte de suas vidas. Dona Canô é uma graça. Com sua voz doce e melodiosa, conversa e ri a vontade, mesmo diante das lentes de Andrucha Waddington, que a certa altura percebemos estar integrado e ser ele também, um amigo da família.


Foi a própria Maria Bethânia quem convidou o diretor Andrucha Waddington a registrar os festejos de seu aniversário de 60 anos. O convite ocorreu apenas um dia antes do show, o que fez com que fosse necessário fechar uma equipe de filmagem às pressas. - As filmagens de Maria Bethânia - Pedrinha de Aruanda duraram apenas 4 dias. 

Estreou nos cinemas em 14 de setembro de 2007, no mesmo fim de semana em que Dona Canô completou 100 anos. 

O orçamento de Maria Bethânia - Pedrinha de Aruanda foi de R$ 400 mil.



29/03/2007

"Pedrinha de aruanda" mostra Maria Bethânia na intimidade

G1

Com bastante simplicidade e um pouco da intimidade de Maria Bethânia, o cineasta Andrucha Waddington mostra mais uma faceta da cantora com seu mais recente trabalho, o documentário "Pedrinha de aruanda". A produção está no festival É Tudo Verdade e é exibida nesta quinta-feira (29), às 21h, no Rio, e sexta, às 21h30, em São Paulo. 

De formato enxuto - 60 minutos no total -, "Pedrinha de aruanda" começa com Maria Bethânia nos bastidores de um show ocorrido no ano passado em Salvador.

Mesmo após 40 anos de carreira, as câmeras captam um elaborado ritual de preparação e concentração de Maria Bethânia, até a entrada no palco, com a explosão do público e a interpretação de "Gita" (Raul Seixas/Paulo Coelho) em arranjo rock 'n roll.

A partir daí, o documentário se dedica a registrá-la ao lado da família durante a celebração de seu aniversário de 60 anos. Como em dos momentos da cerimônia pré-show, o lado religioso de Maria Bethânia é evidenciado quando a equipe acompanha a missa de celebração do seu nascimento, com a presença da mãe da cantora, dona Canô Veloso. Ela é a única entrevistada da produção e lembra passagens da infância e a inclinação para o canto que Bethânia demonstrou logo cedo.

A seguir, com a chegada do irmão Caetano Veloso à cidade de Santo Amaro da Purificação (BA), tem início a parte principal de "Pedrinha de aruanda": em uma roda de violão bastante informal, Caetano, Bethânia e dona Canô, após um jantar bastante simples, interpretam canções que marcaram a vida em família, como composições de Lupicínio Rodrigues, Dorival Caymmi e outros. Outro elemento presente são as declamações de poemas de Mario Quintana e Fernando Pessoa - este último em seus heterônimos.

Waddington, diretor do longa "Eu, tu, eles", investiu em uma produção singela, sem truques de câmera ou edição mirabolante, para capturar uma faceta contemporânea e madura da cantora.

"Pedrinha de aruanda" também entrará em circuito comercial no próximo dia 22 de junho. 




30 de março de 2007

Documentário traz Bethânia, Caetano e Dona Canô

Produção com o trio integra programação do Festival É Tudo Verdade


Luiz Carlos Merten


Caetano, Dona Canô e Bethânia, em cena do documentário

SÃO PAULO - No Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, que vai chegando ao fim - a premiação ocorre sábado à noite, mas a programação vai até domingo -, já houve um filme fundado sobre lembranças de uma casa vazia. A casa era do banqueiro Walter Moreira Salles, na Gávea, filmada por seu filho João e filtrada pelo olhar do mordomo. Pode não concorrer a prêmios, mas é um dos filmes mais importantes da edição deste ano (o mais?), aquele que poderá marcar a história do documentário brasileiro. Há agora uma outra casa, de um outro clã. A de dona Canô, em Santo Amaro da Purificação, onde Maria Bethânia comemora seus 60 anos (e 40 de carreira).

Maria Bethânia é o título do documentário e a artista é certamente sua atração principal, mas a verdade é que divide a cena com o irmão, Caetano Veloso, e a mãe, dona Canô. Andrucha Waddington fez um filme sobre uma família brasileira, uma família especial, certo, mas o tom é de intimidade e, mais que isso, casualidade. Dona Canô e os filhos sentam-se naquela varanda e cantam. Não se diz muita coisa. Tudo o que importa vem dos olhares, dos gestos, das manifestações de carinho e das músicas. "Música boa é música antiga", dona Canô diz e está falado. O filho, a seu lado, ri.

Andrucha já havia conversado com Bethânia, que lhe disse que gostaria que ele fizesse um registro de sua festa de aniversário. Só que foi tudo decidido muito em cima da hora. Na véspera, Maria Bethânia fez, à noite, um show em Salvador. Pela manhã, no Rio, Andrucha recebeu um telefonema da produtora de Bethânia, que detém os direitos de seu selo, a Quitanda. Atendendo à encomenda da cantora, ele poderia fazer o registro do espetáculo daquela noite? 

E poderia, no dia seguinte, ir a Santo Amaro, onde haveria uma missa e, à noite, uma festa não apenas da família, mas de amigos e da comunidade? 

Andrucha mal teve tempo de reunir uma equipe e embarcar. Chegou ao camarim e combinou - não queria fazer um documentário com perguntas. Queria que Bethânia o levasse, para onde quisesse.

Ela o levou para dentro de sua casa, de sua família, mas o filme não tomou esse formato em seguida. Andrucha montou o material colhido e seis meses depois, com o material quase editado, Bethânia o chamou para o sarau na varanda, uma coisa bem íntima, bem familiar, que ocupa a maior parte do documentário. 

A festa, propriamente dita, foi para os créditos finais. Andrucha quis interferir o mínimo possível. Para quem já foi acusado de cosmetizar o sertão - em Eu Tu Eles e Viva São João! -, ele assumiu a imperfeição, filmando, em digital, sem nenhum cuidado de iluminação. No interior da casa, quando Caetano canta, o rosto de Bethânia fica meio escuro. O que importa? O que vale é a emoção. 

Maria Bethânia custou R$ 400 mil bancados pela Quitanda.

Influenciado por amigos do Grupo Estação, do Rio, Andrucha propôs, e Bethânia aceitou, que o documentário seja lançado em cinema e DVD. Não haverá CD e será um lançamento pequeno, num circuito digital. Andrucha não finalizou o filme no sistema ótico e sim, em HD. Um musical que retrata a família ou o retrato de uma família musical? Maria Bethânia não quer outra coisa senão colocar o público naquela varanda em que uma mãe e seus dois filhos nos convidam para uma hora de deliciosa intimidade.


Maria Bethânia - Pedrinha de Aruanda. 
CineSesc (326 lug.). R. Augusta, 2.075, (11) 3082- 0213. Sexta-feira, 21 h. Cotação: Bom



Quinta-feira, 13 de setembro de 2007

ESTRÉIA
Bethânia revela intimidade da família em documentário

Por Neusa Barbosa, do Cineweb

REUTERS

SÃO PAULO - Conhecido por ficções de circulação internacional como "Casa de Areia" (2005) e "Eu Tu Eles" (2000), o diretor carioca Andrucha Waddington volta ao documentário em "Pedrinha de Aruanda -- Maria Bethânia".

Em 2002, ele já havia explorado o gênero em "Viva São João", que registrava as presenças de Gilberto Gil, Dominguinhos, Alceu Valença e outros.

"Pedrinha de Aruanda..." entra em circuito nacional nesta sexta-feira, em homenagem ao centenário de dona Canô, mãe da cantora e de Caetano Veloso, que será comemorado no próximo dia 16.

Duas semanas depois, o filme será lançado em DVD, tendo como extra o média-metragem "Bethânia Bem de Perto". Trata-se de outro documentário, dirigido em 1966 por Julio Bressane e Eduardo Escorel, mostrando a cantora baiana em início de carreira, recém-chegada ao Rio de Janeiro, onde veio substituir Nara Leão no show "Opinião".

Filmado em apenas quatro dias, "Pedrinha de Aruanda..." tem como ponto de partida o sexagésimo aniversário da cantora, em junho de 2006. Bethânia é vista em sua intimidade, muitas vezes na casa de sua família, em Santo Amaro da Purificação (BA), onde ela passou a infância e a adolescência.

Bethânia canta várias vezes ao lado do irmão, Caetano Veloso, da mãe, de sobrinhos e amigos, numa descontração bem diferente dos palcos, onde a cantora é conhecida pelo rigor de sua preparação. Um dos pontos altos é uma seresta na varanda da casa familiar, onde Bethânia e os familiares, dona Canô inclusive, interpretam "Gente Humilde", "Felicidade" e "A Tristeza do Jeca".

Outro momento raro de espontaneidade passa-se numa viagem de carro, entre Salvador e Santo Amaro, à noite. O motorista é Caetano Veloso, conversando animadamente com Bethânia sobre o passado e suas recordações da infância, tendo como única testemunha o diretor Andrucha e sua câmera, no banco de trás.

Da comemoração do aniversário de Bethânia, ficam alguns momentos de um show que fez na Concha Acústica de Salvador e a missa em sua homenagem, já em Santo Amaro. Em sua cidade natal, Bethânia explora a pé roteiros que percorria quando criança.

Esta naturalidade da cantora diante da câmera é o grande diferencial deste documentário em comparação com outro trabalho sobre ela feito há dois anos, "Maria Bethânia -- Música é Perfume", do suíço Georges Gachot. Naquele filme, a intérprete mostrou-se bem mais solene e distante. 
Este documentário também foi lançado em DVD no Brasil.




14/9/2007

Festa em família

O documentário ‘Maria Bethânia – Pedrinha de Aruanda’, de Andrucha Waddington, estréia em Salvador

Margareth Xavier

Meio Bethânia, meio Andrucha Waddington. A parceria entre o cineasta e a cantora, às vésperas do aniversário de 60 anos dela, em 18 de junho de 2006, rendeu o documentário Maria Bethânia – Pedrinha de Aruanda, que entra em cartaz hoje, na Saladearte-Ufba, dois dias antes do aniversário de 100 anos de dona Canô, mãe da artista de Santo Amaro. Daqui a duas semanas, o filme já estará disponível também em DVD, em edição que traz também Bethânia bem de perto, curta de Júlio Bressane e Eduardo Escorel gravado em 1966. 

Presente para os fãs que nunca perdem a esperança de descobrir um pouco mais da reservada intimidade de uma das maiores intérpretes brasileiras.

Foi a própria Bethânia quem convidou Andrucha para registrar as comemorações, a começar por um show na Concha Acústica. Depois, vieram Santo Amaro (a cidade natal), dona Canô (a mãe), Caetano Veloso (o irmão) e o diretor musical Jaime Alem.

Estava pronto o cenário, entre o palco e sua cidade natal, e presentes os personagens para uma festa íntima registrada por uma equipe montada às pressas. Pela característica inusitada do projeto, resultado do irrecusável convite de última hora da cantora, o diretor preferiu se deixar guiar pela homenageada e preservar a doméstica espontaneidade do grupo.

Da Concha Acústica – o longa abre com a interpretação de Gitã, seguida do Parabéns do público – para o camarim, Andrucha inicia o passeio pela imperscrutável intimidade de Bethânia, da concentração para cantar aos pequenos rituais religiosos. Em Santo Amaro, a filha da terra o guia por lugares que marcaram sua infância e adolescência – da estação de trem à Cachoeira da Mãe Oxum –, e para uma seresta em família, na varanda da casa. Aparecem aí clássicos como Gente humilde (Garoto, Vinícius de Moraes e Chico Buarque), Felicidade (Lupicínio Rodrigues) e a Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira). 

No carro, Caetano dirige para Salvador, com Bethânia ao lado, guiados ainda por lembranças da infância.

Os 40 anos que separam Pedrinha de Aruanda de Bethânia bem de perto deixou aberto no tempo, também, um espaço para o registro de outras memórias musicais da cantora. O filme de Bressane registra a chegada da cantora ao Rio de Janeiro, convidada por Nara Leão para substituí-la no show Opinião, ao lado de Zé Keti e João do Vale. Estão lá passeios pela cidade, a intimidade de sua casa e sua estréia. Foi, inclusive, em uma das apresentações do Opinião que ela fez a memorável interpretação de Carcará.

Em Saravah (1969), de Pierre Barouh, também é a jovem Bethânia que aparece, aos 21 anos, dividindo espaço com os senhores Pixinguinha e João Baiana, com o também jovem Paulinho da Viola e com Baden Powell, num luxuoso intermédio entre as gerações. Uma Bethânia inesquecível está também em Os doces bárbaros (Jom Tob Azulay, 1977), com suas performances ao lado de Caetano, Gilberto Gil e Gal Costa.

Momentos esses em parte revividos em (Outros) Doces Bárbaros (do próprio Andrucha, em 2004), que inclui ensaios, bastidores e trechos dos shows de dezembro de 2002 no Parque do Ibirapuera e na Praia de Copacabana, que voltou a reunir o grupo. Já Música é perfume (Georges Gachot, 2005) convida ao seu universo musical. Nada, porém, que a coloque literalmente em casa, como faz Pedrinha de Aruanda.

A pouca preocupação com a luz, imagens que perdem o foco e a câmera por vezes instável foram alguns detalhes captados na gravação em 16 milímetros, assumidos e preservados por Andrucha no processo de montagem, imprimindo um tom caseiro do registro.

O resultado, com 61 minutos, já mostrado no festival de documentários É Tudo Verdade (em março, no Rio de Janeiro), tem provocado divisão de opiniões, sobre se o formato é ou não adequado para exibição em salas de cinema, tamanha a anunciada falta de pretensão e o caráter intimista da proposta. A seu favor, conta o interesse de uma enorme parcela do público por tudo o que diz respeito a Bethânia, uma platéia que certamente terá grande prazer em compartilhar do bate-papo informal, da cozinha, gestos, olhares e silêncios da família Velloso.












PEDRINHA DE ARUANDA
1. Pedrinha Miudinha (domínio público)
2. Gita (Raul Seixas/Paulo Coelho)
3. Parabéns pra Você (domínio público)
4. Pai Nosso (domínio público)
5. Maria Matter Gratiae (domínio público)
6. Ofertório (Caetano Veloso)
7. Motriz (Caetano Veloso)
8. Meu Romance (Jota Cascata)
9. Chuá Chuá (Ary Pavão/Pedro de Sá Pereira)
10. Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi)
11. Felicidade (Lupicínio Rodrigues)
12. Foguete (Roque Ferreira/Jota Velloso)
13. Exemplo (Lupicínio Rodrigues)
14. Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira)
15. Lua Bonita (Zé Martins/Zé do Norte)
16. Gente Humilde (Garoto/Vinicius de Moraes/Chico Buarque)

Textos
1. Noturno IV (Mario Quintana)
2. O Tejo É Mais Belo (Alberto Caeiro)
3. As Ruazinhas (Mario Quintana)
4. Ultimatum (Álvaro de Campos) 


2007 - OS 100 ANOS DE DONA CANÔ [3]

16/09/2007

Dona Canô, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia, faz 100 anos neste domingo, 16

Matriarca que não gosta de novela e assiste a 'Tom & Jerry' é famosa por sua personalidade benevolente

Luciana Tecidio

DO EGO, NO RIO


Claudionor Vianna, ou simplesmente Canô, faz 100 anos

Santo Amaro da Purificação, no interior da Bahia a 71 quilômetros da capital, Salvador, aguarda ansiosa a chegada do domingo, 16. Neste dia, a cidade vai dar uma pausa para comemorar os 100 anos de sua personalidade mais ilustre: Claudionor Vianna, mais conhecida como Dona Canô, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Neste dia, a casa com dez quartos e dois salões na parte de cima, repintada em suas cores orginais, branca e azul, vai abrigar toda a família que vem de longe para o seu aniversário.


MISSA E CAFÉ DA MANHÃ

A comemoração no domingo começa cedo. Após a missa às 9h30 da manhã na Igreja de Nossa Senhora da Purificação com a presença dos filhos ilustres Caetano Veloso e Maria Bethânia, será servido um café da manhã na praça em frente à Igreja para 1 mil 200 pessoas.

A escritora e compositora Mabel Velloso, uma das oito filhas de Dona Canô do casamento de 53 anos dela com o telegrafista-chefe dos Correios e Telégrafos da cidade, José Telles Velloso, conta que não vai faltar xícara de chocolate para ninguém.

“Como dizem... será um brunch. Contratamos um buffet e fizemos questão de explicar como dever ser feito o chocolate quente. Mamãe ficou preocupada achando que a cozinheira não ia dar conta de fazer sozinha o chocolate para todo esse povo. Ela achou que só uma pessoa ia fazer tudo...”, lembra Mabel que é mãe da cantora Belô Velloso. Aliás, o Veloso de Caetano deveria ganhar mais um L. O erro foi cometido e se institucionalizou no registro de seu nascimento.

Após o brunch previsto para terminar às 12h30, a família e os convidados seguem para a Enseada do Caeiro, um resort na praia da Itapema. Lá, os convidados vão saborear as iguarias típicas da Bahia: vatapá, xinxim de galinha, feijão-fradinho, farofa de dendê, acarajé, abará, rapadura. Só para o caruru serão gastos cerca de 10 mil centos de quiabo (na Bahia ele é vendido aos centos). 


SAPATO SOB ENCOMENDA

Sapato de camurça com cristal Swarovski feito para ela usar na festa de 100 anos

A roupa que Dona Canô vai usar no dia é uma surpresa preparada por Maria Bethânia. Bem como a confecção de um sapato tamanho 34 a ser usado pela mãe no dia de seu aniversário. A pedido da matriarca, que quando fez 90 anos usou um modelo de veludo com laço de gorgorão e strass, Bethânia mandou confeccionar um  modelo mais confortável. Também desenhado por César Coelho Gomes, da grife Swains, o sapatinho dos seus 100 anos é feito de camurça de cabra marfim com uma tira de cetim e fivela de cristal Swarovski (veja foto ao lado). 

Uma leitura da vida de dona Canô leva a crer que tanta festa em torno dessa baiana de metro e meio de altura e com uma saúde ótima não é somente porque gerou dois gênios da Música Popular Brasileira. Canô não é o que é por causa de Caetano e Bethânia. Caetano e Bethânia sim, são o que são por causa dela.


"FAZER 100 ANOS É UM SURPRESA QUE DEUS ME FEZ"
Para criar os filhos- Claudionor que ganhou o apelido de Canô de um menino que não conseguiu soletrar seu nome verdadeiro-, ela trabalhou muito. Além dos filhos naturais frutos de seu casamento com Zeca – Roberto José, Maria Isabel, Clara Maria, Rodrigo Antonio, Caetano Emanoel e Maria Bethânia-, a baiana criou mais duas meninas: Nicinha e Irene. Foi em homenagem à irmã de criação, Irene, que Caetano criou a famosa canção quando esteve exilado: “Eu quero ir minha gente, eu não sou daqui/ eu não tenho nada/ quero ver Irene dar sua risada”. Os partos dos filhos foram fáceis e em casa com a ajuda da sogra e da mãe.

Com uma lucidez e memórias impressionantes, Dona Canô falou com a reportagem do EGO pelo telefone como se sente aos 100 anos. “Me sinto da mesma forma. Não mudei nunca. Fazer 100 anos é uma surpresa que Deus me fez e estou aceitando”, disse ela que fez um rápido balanço da vida de um século. “Já realizei tudo. Chegar até aqui é uma realização muito grande”.

 
Dona Canô com o marido Zeca, Caetano e Bethânia
  
MULHER CULTA
Criada numa casa de família rica da região pertencente a Dona Sinhazinha Batista, mulher de um senador, Canô aprendeu lá tudo sobre teatro, música e poesia. A cultura adquirida foi ramificada para os filhos que conheceram tudo sobre arte com a mãe.

Ao circular pelas ruas de Santo Amaro no carro com motorista presenteado por Maria Bethânia, é comum ouvir o povo falar: “Lá vai Dona Canô fazer o bem”. Preocupada com os pobres, seu nome batiza um centro oftamológico para pobres além de um viaduto no aeroporto de Salvador, um teatro e uma biblioteca pública. Nos seus aniversários ela avisa que não quer presente. Em troca, pede donativos para os menos abastados que são distribuídos a eles a mando dela. “Meus filhos serem unidos é meu maior presente”, diz a matriarca.

ELA NÃO VÊ NOVELA
Todo o dia, por volta das 11h da manhã, Canô vai até a cozinha e saboreia num pires o arroz fresco que cozinha na panela. Em seguida, após o lanche frugal, faz um almoço consistente e dorme todas as tardes. O jantar é sempre uma sopa. Na televisão, nada de novelas – ela não gosta. No lugar delas, assiste a desenhos animados e entre seus preferidos estão “Tom e Jerry” e “Pato Donald”.

No domingo, 16, Caetano Veloso que costuma dormir de madrugada e despertar por volta das 17h, terá que acordar mais cedo. Ao EGO, o cantor e compositor disse qual é a maior lição de vida que sua mãe lhe deu: “Foi ter a capacidade de gozar a existência. Aprendi observando ela. Minha mãe é minha voz. Gosto de cantar como se fosse ela (Dona Canô costumava cantar para a família). Acho ela uma pessoa feliz que é um negócio pouco difícil”, analisa ele.







16/9/2007

Multidão participa das homenagens a dona Canô

O clímax dos festejos pelos 100 anos da matriarca dos Vellosos foi a vinda da imagem de Nossa Senhora

Mariana Rios

Acolhida no abraço da filha Maria Bethânia, dona Canô sucumbiu à emoção na Igreja Matriz da Purificação completamente lotada. Foi lá que recepcionou a convidada mais especial da festa – a imagem de Nossa Senhora de Aparecida, vinda do santuário do Alto Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Para a anfitriã, a visita foi o clímax do dia de ontem e das comemorações do seu aniversário de 100 anos, que prosseguem hoje. Ao som da voz inconfundível de Bethânia, que cantou a música Romaria, abraçou e beijou com candura a imagem. Antes de devolvê-la ao padre que a conduzia, encostou a cabeça no manto azul. O momento de fé de dona Canô foi visto por todos no templo.

Ela não pôde acompanhar o restante da celebração – a missa programada para 12h. Visivelmente comovida, foi levada pela filha e por familiares para casa situada no centro de Santo Amaro. Precisava se recompor. Aquela visita muito aguardada foi um momento ímpar das celebrações que movimentam desde sexta-feira o município, a 75 km de Salvador. Desde cedo, estava ansiosa, segundo o filho Rodrigo Velloso. “Para ela, a festa maior é essa aqui”, afirmou, momentos antes do encontro na nave da igreja, tendo às mãos uma garrafa térmica, com café com leite, para que a aniversariante bebesse, após a procissão pela cidade.

E a população compareceu às ruas, protagonizando um belo espetáculo de fé. Segundo cálculos da Polícia Militar (PM), mais de seis mil pessoas foram recepcionar a padroeira do Brasil, que seguiu em carro aberto, do Corpo de Bombeiros, atrás da imagem de Santo Amaro. “Não posso descrever este merecimento. Só Deus para me dar, Nossa Senhora abraçando a mim e a minha terra”, declarou dona Canô. Cercada por dezenas de câmeras, reverenciou a santa. Demonstrou força e altivez, mesmo quando o corpo sucumbiu ao cansaço.

“Ela será sempre linda, serena, comovida e mariana. É uma mulher de muita humildade, segura, determinada. Este é o momento mais comovente e ela merece tudo”, elogiou Bethânia. Durante a celebração, Bethânia não desgrudou da mãe, como faz costumeiramente quando vai a Santo Amaro. 
Festividades - Tudo começou por volta das 10h30, com a chegada da imagem de Nossa Senhora de Aparecida. Segundo o padre Josafá Moraes, do santuário situado em Aparecida do Norte, a vinda da santa foi uma retribuição à ida de dona Canô ao santuário em 2004. “Foi uma recepção muito bonita, forte e expressiva. Uma das melhores que participei”, garantiu o padre. Durante o cortejo, todos queriam tocar, ver, tirar uma fotografia, acenar para a imagem. 

Atrás do caminhão dos bombeiros, dona Canô também era saudada. Recebeu abraços, cumprimentos, votos de saúde.

O cortejo seguiu pelas ruas do centro até a Igreja Matriz. No trajeto, a multidão segurava bandeiras e imagens da santa. Nas portas das casas, pequenos altares, lenços brancos nas janelas. A equipe da TV Aparecida também compareceu à homenagem para a gravação de um programa especial. Gente do povo, religiosos, políticos, pescadores e marisqueiras, todos vieram saudar a aniversariante e sua convidada especial. “Trouxemos nosso material de trabalho para que Nossa Senhora abençoe e para que as pessoas conheçam nosso trabalho”, afirmou o presidente da Associação dos Marisqueiros e Pescadores de Caieiras, José Roque Filho. O filho Caetano Veloso participava do seminário na Casa do Samba de Santo Amaro e não acompanhou a celebração. A imagem de Nossa Senhora permanece na igreja até às 18h de hoje.

***
Programação do aniversário

9h30 – Missa em homenagem a dona Canô
10h30 – Café da manhã com a comunidade na Praça da Purificação
13h – almoço com a família e convidados, em um resort de Caieiras




CartaCapital

Um viva à mãe Canô
por Valéria Almeida

Autoridades presentes, missa e inaugurações festejam o aniversário de Dona Canô. Ela diz não merecer. Os filhos dão mostras de mau humor.




Faltam 48 horas para o grande dia. Nas ruas de pedra da pequena Santo Amaro da Purificação o povo se agita, dança. À beira do rio Subaé, a bela Casa do Samba é inaugurada para marcar a data. Políticos, artistas, amigos e admiradores se reúnem no Recôncavo Baiano. Todos querem prestigiar o momento.

É véspera de aniversário de Claudionor Vianna Telles Velloso, ou simplesmente Dona Canô. A senhora de um metro e cinquenta, voz doce e passos firmes está prestes a completar cem anos. É ela quem brilha nesse momento, apesar dos rompantes de estrelismo dos filhos Caetano, que grita afastando a imprensa, e Maria Bethânia, que pede licença batendo com leque e não quer que ninguém a toque.

Faixas espalhadas pela cidade explicitam a importância dada a ela, considerada “o alicerce de Santo Amaro”. No palanque posicionado à frente do Teatro Dona Canô, as autoridades discursam sem parar. Todos querem dizer algo. Quebram o protocolo, fazem política. Lá embaixo, o povo dança. Mas, de repente, chega Canô. Por ela o samba pára. A população ovacionada. “É a grande matriarca”.

Todos querem pegar na senhora que, de mansinho, chega acolhida por filhos e amigos. Lá está no palco. Querem que ela fale. Ela atende o público. Sem se levantar, pede com voz embargada que o povo cuide daquele lugar que “um dia foi nada”. Fala da sua vida, do que viu, mas ninguém escuta. O povo grita declarações de amor.

Faltam 24 horas. Por ela Nossa Senhora Aparecida vai à Bahia. Na praça central, em frente à Igreja Nossa Senhora da Purificação, crianças, adultos e idosos esperam com flores, bandeirinhas e músicas na ponta da língua. Quase meio-dia e uma carreata percorre as ruas do Centro. A santa chega, logo atrás vem dona Canô. Entre o tumulto armado, uns pedem a benção à padroeira, outros a mãe santo-amarense.

A imprensa se amontoa. Fotógrafos e cinegrafistas se aglomeram diante de Canô. Com olhar um tanto assustado ela segue. Que ver Nossa Senhora. Lá na frente, diante do altar, está a filha cantora, Maria Bethânia, que ora em forma de música, consagrando a imagem da santa. A aniversariante se emociona.

Já em sua casa, famosa pela acolhida, dona Canô se recolhe aos aposentos. Precisa descansar, seguindo o ritual de todos os dias. Enquanto isso, amigos e familiares mantêm a tradição de meio século. Com facas a mão e esparadrapos nos dedos, todos se põe a cortar quiabos para o preparo do caruru servido no dia 16 de setembro. Entre lembranças de toda a vida, eles riem e cantam para os erês.

Na rua, todos passam a olhar a simples casa branca de portas e janelas azuis, na avenida Ferreira Bandeira, 179. De bengala na mão, um senhor diz: “quando vier a Santo Amaro cante assim: Se Dona Canô chamar, já não posso resistir, sigo o toque da viola, vou pro samba por aí...”. Chamada de Samba para Canô, a música é a mesma que faz trilha sonora no almoço às margens do rio que cruza a cidade.

Nascida na própria Santo Amaro, Canô viu a construção da primeira praça, a chegada da luz elétrica, os bondes puxados por burros. Aos 23 anos, casou-se com o telegrafista José Telles Velloso, seu Zeca, e teve oito filhos. Sem muito, passou a ser admirada...

Chega então o grande dia. A igreja da Purificação está decorada com flores brancas. Há uma passarela feita a Canô. Na porta está um laço de fita azul, a ser descerrado na entrada triunfal da aniversariante. No chão, um tapete branco conduz ao altar. Está tudo realmente perfeito. Lá dentro está Nossa Senhora Aparecida e os amigos que chegaram cedo para garantir o lugar.

Do lado de fora, uma multidão espera. O sol brilha forte. Chega então a matriarca da família Velloso. De roupa branca bordada, sapatinho dourado e bolsinha, ela está sorridente. Acena. Pega na mão dos amigos. As crianças querem ver Canô. Os adultos e idosos também. Todos querem desejar o que há de melhor.

No pescoço, carrega um colar com pingentes feito com três símbolos: o coração, a espada e a âncora. São seus símbolos de vida, amor, força e alicerce. Sua família também os tem no peito. No altar, feitos com flores, eles também estão presentes.

Dona Canô entra. A imprensa pisoteia o tapete branco, enquanto ela continua a caminhar, agora com um semblante mais fechado. A anfitriã senta ao lado da amiga de 100 anos, dona Luizinha (na cidade há outro centenário, com 104 anos).

Tem início a celebração à vida. O cardeal agradece a presença do governador, do prefeito e demais autoridades políticas, e Canô faz ar de contragosto. A todo instante uma das filhas pede silêncio, assim como licença a repórtes, cinegrafistas, fotógrafos e curiosos que, no altar, não deixam que a mãe assista a missa.

Bethânia se enerva e diz que a cena é “assustadora”. Logo mais canta à matriarca e faz questão de estar junto dela. Dá água. Vê se está tudo bem. No púlpito, amigos declamam poemas, declarações de amor, e um dos bisnetos lê um texto que mostra como a bisa conduz a vida “como a receita do bolo que não sola”.

Chega a hora das ofertas. Em fila, a família leva à Dona Canô oferendas da natureza. Em vasilhas de vidro entregam água do rio, água do mar, terra. Mais uma vez, ela se emociona. Os correios eternizam a chefe Velloso em selo. Sorridente, ela passará a ser vista no mundo em correspondência.

Chega ao fim a cerimônia e os flashes “protocolares”, como ressalta o padre. Lá fora a banca toca, crianças cantam e Canô, em seu dia de rainha, diz com simplicidade e sabedoria: “eu não fiz nada para merecer tudo isso. Famosos são meus filhos”.











17/09/07

Bethânia e Caetano comemoram 100 anos de dona Canô
Festa e missa foram realizadas em Santo Amaro, na Bahia


Do EGO, no Rio



Dona Canô é acordada com festa em sua casa na Bahia

Maria Bethânia e Caetano Veloso comemoram os 100 anos da mãe, Dona Canô, no domingo, 16, em Santo Amaro na Bahia. Os músicos não conseguiram chegar a tempo para o café da manhã com a aniversariante, mas os outros irmãos estavam presentes.

Dona Canô saiu do quarto acompanhada das filhas Mabel Veloso, Clara Maria e da neta Ju. Ela foi aplaudida quando chegou na sala. Em seguida, banhou-se com água da cachoeira, que armazena em uma garrafa, e brindou com a filha Mabel com uma xícara de café preto. "O segredo para chegar aos 100 anos é procurar ser feliz", afirmou Claudionor Vianna, mais conhecida como Dona Canô.


Bethânia, Caetano e Tom na igreja onde foi celebrada a missa de 100 anos de dona Canô



FARTURA

O café da manhã foi servido numa grande mesa. O cardápio variado e apetitoso permitiu a Dona Canô degustar ao lado dos filhos Mabel, Irene, Clara Maria, Rodrigo, Roberto (Bob) e Nicinha e de amigos como Alcina, Leda e Sílvia (sobrinhas), Ana, Mire, Lucya Adães, que a homenageou com um poema. Às 9h30, o grupo seguiu para a Igreja Matriz, onde aconteceu a celebração da missa reunindo políticos, amigos, familiares e populares. Maria Bethânia e Caetano já estavam no local. O cantor levou os filhos Zeca e Tom para a comemoração. "Benção, minha mãe", pediu Caetano à Dona Canô.

Ao término da missa, a festa não terminou. Todos foram para o Hotel Fazenda Enseada do Caeiro, onde foi servida comida típica baiana. Estiveram presentes no evento personalidades como o ministro Gilberto Gil, o governador da Bahia Jacques Wagner, ACM Neto, ACM Filho, Cesar Borges, Regina Casé, Margareth Menezes e Antonio Imabassaí, entre outras. "Ela contribui para que tudo fique legal em volta dela", disse Regina Casé.




























18/9/2007


GENTE

Valdemir Santana


Luxo local
Duas estilistas tradicionais de Santo Amaro se esmeraram em produzir o look de Dona Canô para os dois dias de festas que encerraram a comemoração pelo centenário da matriarca da família Velloso. Maria Bethânia comprou os tecidos, renda e cetim, no Rio de Janeiro, e enviou para o outro filho da matriarca, Rodrigo, artista plástico, que acompanhou tudo.

Tereza Pinto fez o modelo principal, para domingo, bordado com pérolas e barras frisadas sob calor de maçarico. Mas quem surpreendeu pela rapidez na produção foi Ina, que recebeu a encomenda em cima da hora. “O vestido ficou pronto tarde da noite e pela manhã minha mãe vestiu, ficou linda’, comemorou Rodrigo.


Longa amizade
Mais velha do que ela, uma amiga de infância de dona Canô não arredou pé da festa da amiga. Luizinha Pedreira estudou na mesma turma do Colégio Sacramentinas, onde se lia Victor Hugo no original, em francês. Completou 100 anos dia 18 de agosto e dona Canô foi para a festa que ferveu os jardins da residência na Avenida Ferreira Bandeira, no mesmo quarteirão em que mora a família Velloso. As duas não trocaram grandes elogios pelo centenário. “A gente se vê todo dia, conversa o tempo inteiro, como é que vai se preocupar com frases bonitas só porque fez 100 anos?”, perguntou, cheia de sabedoria.

Medida radical
Dona Canô não faltou a um só, de quase oito eventos programados para os dois dias de encerramento da comemoração dos 100 anos. Lá estava ela desde cedo recebendo visitas em casa, na concentração para receber Nossa Senhora de Aparecida, no cortejo, na missa de sábado, missa de domingo, no camarote para os cumprimentos no domingo, no café da manhã na praça e no almoço para celebridades no final.

O perigo foi o entusiasmo dos que queriam ficar à sua volta, incluindo o excesso de profissionais da mídia. A pressão foi tão grande no primeiro dia que precisou sair da Matriz da Purificação sem assistir à missa de recepção à imagem peregrina da padroeira do Brasil. No resort, a aglomeração foi tão absurda em sua volta que tirou o filho Rodrigo do sério. Quando ele viu a sua mãe em perigo, deixou de lado a tradicional elegância e ameaçou com a decisão radical: “Vou chamar Bethânia”, ameaçou. E cumpriu a ameaça.

Barato society
Wangry Gadelha teve participação importante durante a Tropicália. Socialite discreta, não chegou a virar personagem na mídia como os artistas. Era na mansão dela, na Graça, que acontecia o que se pode chamar de parte social do movimento artístico.

As filhas Dedé, que casou com Caetano Veloso, e Sandra, que casou com Gilberto Gil, chamavam os amigos, e ela fazia as festinhas sempre elogiadas. Ficou viúva, mais reservada, e nunca cultuou os holofotes da imprensa.

Estava animadíssima no domingo ao lado da filha e do neto Moreno Veloso, que junto com a mulher Clara Mariani Flaksman paparicava a filha Rosa, de 3 anos, na Praça da Purificação.

Santa mídia
A família Velloso tentou disciplinar o acesso da imprensa na cobertura do evento principal, a missa com dom Geraldo Magela, mas alguns profissionais reagiram e deu no que deu.

No altar-mor, onde estavam o cardeal, mais 15 padres e oito diáconos, havia 34 fotógrafos, repórteres, cinegrafistas e auxiliares. Repito: dentro do altar-mor, a área mais reservada da nave em um templo católico.

Um fotógrafo ficou longo tempo exatamente em frente, ocultando a imagem de Nossa Senhora da Purificação, que é em tamanho natural. Apenas a coroa da santa padroeira da cidade podia ser vista pelos féis.

Sempre em movimento, o fotógrafo cutucou um dos padres perto dele, em plena celebração, e mandou segurar o colete enquanto trocava as lentes da máquina.


Fez pior ainda. Quando os padres desceram um degrau e formaram novo semicírculo mais próximo do cardeal, para a final da concelebração, o fotógrafo instalou uma escada de quatro degraus entre os religiosos, subiu e ficou fotografando.